:::: Melhores Sambas ::::


Samba é cultura!

Não devemos ter vegonha do nosso verdadeiro carnaval. Aquele que canta o Brasil e sua cultura e move multidões, construído pelas comunidades nos barracões. Não é somente o carnaval que atrai turistas de todo o mundo, é a rica cultura brasileira. Esqueçamos tudo que denigra a imagem desta festa! Pois não faz parte da nossa cultura! Se Arte é cultura, carnaval é cultura! Música, escultura, dança, pintura, envolvidos em uma única festa!


Breve história do Samba

O samba é uma dança popular brasileira de origem africana e desde o século XVII já era uma dança de roda, ao ar livre. O samba era conhecido no Rio de Janeiro como chiba, cateretê em Minas Gerais e fandango nos Estados do sul. O samba urbano carioca é o mais conhecido tipo de samba e, que por sua vez, divide-se em duas modalidades: o samba do morro, cultivado pelas escolas de samba (um dos temas a serem abordados no Cultura do Brasil) e o moderno samba, oriundo do maxixe, criado nos últimos cinqüenta anos por compositores populares e responsável pela atual difusão da dança no país e no exterior.


Melhores Sambas de todos os Tempos

Ziriguidum 2001, Carnaval nas estrelas
 (Mocidade Independente - 1985) 
Autores:Gibi, Tiãozinho, Arsênio

Desse mundo louco, de tudo um pouco 
Eu vou levar pra 2001... 
Avançar no tempo e nas estrelas 
Fazer meu Ziriguidum... 
Nos meus devaneios quero viajar 
Sou a Mocidade, sou Independente
Vou a qualquer lugar
Vou … lua, vou ao Sol		 
Vai a nave ao som do samba
Caminhando pelo tempo	
Em busca de outros bambas
Quero ver no céu minha estrela brilhar 
Escrever meus versos na luz do luar
Vou fazer todo o universo sambar
Até os astros irradiam mais fulgor
A própria vida de alegria se enfeitou,
Está  em festa o espaço sideral,
Vibra o universo, é carnaval ! 
Quero ser a pioneira	 
A erguer minha bandeira 
E plantar minha raiz
Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia tem e a Mangueira também (Mangueira - 1986)
Autores: Ivo Meirelles, Paulinho, Lula

Mangueira vê no céu dos orixás
O horizonte rosa no verde do mar
A alvorada veste a fantasia
Pra exaltar Caymmi e a velha Bahia ô, ô, ô
Quanto esplendor
Nas igrejas soam hinos de louvor
E pelos terreiros de magia
O ecoar anuncia um novo dia
Nesta terra fascinante
A capoeira foi morar
O mundo se encanta
Com as cantigas que fazem sonhar
Lua cheia
Leva a jangada pro mar
Oh! Sereia
Como é belo o teu cantar
Das estrelas
A mais linda tá no Gantois
Mangueira berço do samba
Caymmi a inspiração
Que mora no meu coração
Bahia terra sagrada
Iemanjá, Iansã
Mangueira supercampeã
Tem xinxim e acarajé
Tamborim e samba no pé

O Ti-ti-ti do sapoti (Estácio de Sá - 1987)
Autores:Darcy do Nascimento, Djalma Branco, Dominguinhos do Estácio

Que tititi é esse
Que vem da Sapucaí
Tá que tá danado
Tá cheirando a sapoti
Baila no céu a esperança
O cheiro doce e perfume Vêm no ar
Olê, olê, olê
Vem de terra mexicana
Mandei buscar prá você
Vem de terra mexicana
Sacode prá colher
Do pé que eu quero ver
Até o dia amanhecer
D. João achou bom
Depois que o sapoti saboreo
Deu prá Dona Leopoldina
A Corte se empapuçou
E mandou rapidamente
Espalhar no continente
Até o Oriente conheceu
E hoje no quintal da vida sou criança
Me dá que o sapoti é meu
Isso virou tutti-fruti
Tutti-multinacional
Virou goma de mascar
Roda prá lá e prá cá
Na boca do pessoal

Tupinicópolis (Mocidade Independente - 1987)
Autores: Gibi, Chico Cabeleira, Nino Batera, J. Muinhos

Vejam
Quanta alegria vem aí
É uma cidade a sorrir
Parece que estou sonhando
Com tanta felicidade
Vendo a Mocidade desfilando
Contagiando a cidade
E a oca virou taba
A taba virou metrópole
Eis aqui a grande Tupinicópolis
Boate Saci
Shopping Boitatá
Chá do Raoni
Pó de guaraná
No comércio e na indústria
No trabalho e na diversão
É Tupi amando este chão
Até o lixo é um luxo
Quando é real
Tupi Cacique
Poder geral
Minha cidade
Minha vida
Minha canção Faz mais verde meu coração
Laiá, laiá, laiá, laiá
Lá, lá laiá, lá, laia, lá

Kizomba, festa da raça (Vila Isabel - 1988)
Autores: Rodolpho, Jonas, Luís Carlos da Vila

Valeu Zumbi !
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a abolição
Zumbi valeu !
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e maracatu
Vem menininha pra dançar o caxambu
Ôô, ôô, Nega Mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ôô, ôô Clementina
O pagode é o partido popular
O sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que congraça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa Constituição
Que magia
Reza, ajeum e orixás
Tem a força da cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais
Vem a lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o "apartheid" se destrua

Ratos e urubus larguem minha fantasia ( Beija-Flor - 1989)
Autores: Betinho, Glyvaldo, Zé Maria, Osmar

Reluziu .. é ouro ou lata
Formou a grande confusão
Qual areia na farofa
E o luxo e a pobreza
No meu mundo de ilusão
Xepa de lá pra cá xepei
Sou na vida um mendigo
Da folia eu sou rei
Sai do lixo a nobreza
Euforia que consome
Se ficar o rato pega
Se cair o urubu come
Vibra meu povo
Embala o corpo
A loucura é geral
Larguem minha fantasia
Que agonia ... deixem-me
Mostrar meu carnaval
Firme .. belo perfil
Alegria e manifestação
Eis a Beija-Flor tão linda
Derramando na avenida
Frutos de uma imaginação
Leba, iaro, ôôôô
Ebó, iebará, laiá, laiá ô

Festa Profana (União da Ilha - 1989)
Autores: J. Brito e Bujão

O rei mandou
Cair dentro da folia
E lá vou eu, lá vou eu
O sol que brilha
Nessa noite vem a Ilha
Lindo sonho que é só meu
Vem, vem amor
Na poesia, vem rimar sem dor
Na fantasia, vem colorir
Que a vida tem mais cor
Vem na magia
Me beija nesse mar de amor
Vem me abraça mais
Que eu quero é mais
O teu coração
Eu vou tomar um porre de felicidade
Vou sacudir, eu vou zoar
Toda a cidade
Ê Boi Ápis
Lá no Egito, festa de Ísis
Ê Deus Baco, bebe sem mágoa
Você pensa que esse vinho é água
É primavera
Na Lei de Roma
A alegria é que impera
Oh! Que beleza
Máscara negra
No Baile de Veneza
Ô joga água que é de cheiro
Confete, serpentina
Lança perfume no cangote da menina

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós (Imperatriz Leopoldinense - 1989)
Autores: Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho, Jurandir

Vem ver, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria mãe querida
O Império decadente
Muito rico, incoerente
Era fidalguia
Surgem os tamborins
Vem emoção
A bateria vem
No pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí
Da guerra nunca mais
Esqueceremos o patrono, o duque imortal
A imigração floriu
De cultura o Brasil
A música encanta e povo canta assim
Pra Isabel, a heroína
Que assinou a lei divina
Negro dançou, comemorou
O fim da sina
Na noite quinze reluzente
Com a bravura finalmente
O marechal que proclamou
Foi presidente
Liberdade, liberdade
Abra as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz

O que é bom todo mundo gosta (Caprichosos de Pilares - 1989)
Autores: Wanderlei Novidade, Paulinho Rocha, Vanico do Beco, Walter Pardal, Jorge 101

Vem de lá dos tempos de Cabral
A exploração do meu país
Ganhavam no grito
Deram pro índio um apito (fiu-fiu)
Levaram todo o nosso pau-brasil
Eu já mandei buscar
A minha figa de Guiné
Vou rezar não sei aonde
Pra espantar este olho grande
Da terra que o mundo todo quer
É só papo, é caô
Todos sabem, ninguém viu
Depositam na Suíça
O que levam do Brasil
Caprichosos ...
Caprichosamente vai o meu grito
De alerta pro povão (na Sapucaí)
Preservar este lugar
Tudo que se planta dá
Do Oiapoque ao Chuí
Estão caçando jacaré no Pantanal
Pra virar bolsa e cinto
Na maior cara de pau
Vigie este ouro negro que apareceu
Tem país de olho pequeno
Azarando o que é meu
Todos gostam do que é bom
Tira a mão do meu país
Se liga no que a história diz

Vira, virou, a Mocidade chegou (Mocidade Independente - 1990)
Autores: Toco, Jorginho Medeiros, Tiãozinho

A luz que me ilumina é uma estrela,
Da aurora ao arrebol !
Eu em paz no verde da esperança,
Tive sonhos de criança
Comecei no futebol...
Agora, que me tornei realidade
Vou encontrando o meu futuro por aí,
Curtindo a minha Mocidade !!!
E a paradinha de outros carnavais,
Sei que ninguém pode esquecer jamais !!!
Sou Independente
Sou raiz também
Sou Padre Miguel
Sou Vila Vintém
Apoteose ao samba todo o povo aplaudiu,
E a dança do divino aconteceu
O descobrimento do Brasil
Quem não se lembra do lindo cantar do uirapuru
Quando gorgeava, parecia que falava
Como era verde o meu Xingu
Meu ziriguidum fez brilhar no céu,
A estrela guia de Padre Miguel
Ah, vira virou, vira virou
A Mocidade chegou
Virando nas viradas dessa vida
Um elo, uma canção de amor

Tributo à vaidade (Portela - 1991)
Autores: Carlinhos Madureira, Café da Portela, Iran Silva

Eu sou vaidosa
Eu sou assim
Vaidade não tem preço
Mas eu tenho o seu apreço
Pois você gosta de mim
Eu sei que faço seu corpo arrepiar
Eu sei que você não vai sem me ver passar
Eu já vi você chorar
Na hora do meu desfile encerrar
Perguntei ao espelho meu
Qual delas é mais linda do que eu ?
Ele então me respondeu
Mais linda do que eu só eu
O meu azul veio lá do infinito
O meu canto é mais bonito
Salve Oswaldo Cruz e Madureira
Me chamam celeiro de bamba
A Majestade do Samba
Da velha-guarda formosa e faceira
Eu sou e sei que sou
Mais fascinante, deslumbrante, mais amor
Bem sei que você aprova
Pois meu visual comprova
Eu sou luxo e esplendor
Olha eu aí, cheguei agora
Cheguei pra levantar o seu astral
Posso perder, posso ganhar, isso é normal
Vinte e uma vezes campeã do carnaval

Me masso se não passo pela Rua do Ouvidor (Salgueiro - 1991)
Autores: Sereno, Luiz Fernando, Diogo

Eu vou
Vou daqui pra lá
E de lá pra cá
Vou sorrindo
Essa Rua do Ouvidor
Virou caso de amor
Do meu Rio
A moda do francês
Ganhou freguês
Na fidalguia
Jornais
Contavam fatos e boatos do lugar
Para alegria popular
Rua do Ouvidor
Agora entendo seu papel
Desviou do mar
E virou torre de babel
Romances divinais
Os carnavais
E a poesia
Ficou,
Da carne seca à Notre Dame de Paris,
A nostalgia
Do Rio que era mais feliz
E hoje, eu sei,
Da velha rua que não me esqueci
Meu Salgueiro faz
Enredo na Sapucaí
Da Primeiro de Março
Falta um passo
Pra Ouvidor
E no samba faltava
Esse traço de amor

De bar em bar, Didi, um poeta (União da Ilha - 1991)
Autores: Franco

Hoje eu vou tomar um porre
Não me socorre eu tô feliz
Nessa eu vou de bar em bar
Beber a vida que eu sempre quis
E no bar da ilusão, eu chego
É pura paixão, eu bebo
Amor me deseja, me dá um chamego
Me beija e me faz um cafuné
Bebo vem e bebo vai
Que nem maré
Balança mais não cai
Boêmio é
Garçom! Garçom!
Bota uma cerva bem gelada
Aqui na mesa
Que bom! Que bom!
Minha alegria deu um porre na tristeza
Poeta enredo da canção
Cartilha que eu aprendi
Canta Ilha de emoção
Saudades de você, Didi
Amor! Amor! Eu vou
É nessa aqui que eu vou
O sol vai renascer o meu astral
Amor! Amor! Eu vou
Ô Esquindô! Esquindô!
Num gole eu faço um carnaval

Chuê, chuá, as águas vão rolar (Mocidade Independente - 1991)
Autores: Toco, Jorginho Medeiros, Tiãozinho

Naveguei no afã de encontrar
Um jeito novo de fazer meu povo delirar
Uma overdose de alegria
Num dilúvio de felicidade
Iluminado mergulhei
No verde branco mar da Mocidade
Aieieu mamãe Oxum
Iemanjá mamãe sereia
Salve as águas de Oxalá
Uma estrela me clareia
É no Chuê, Chuê,
É no Chuê, Chuá,
Não quero nem saber
As águas vão rolar,
É no Chuê, Chuê,
É no Chuê, Chuá,
Pois a tristeza já deixei pra lá !!!
Da vida sou a fonte de alegria,
Sou chuva, cachoeira, rio e mar,
Sou gota de orvalho, sou encanto,
E qualquer sede posso saciar...
Quem dera!!!
Um mar de rosas esta vida,
Lavando as mentes poluídas,
Taí o nosso carnaval !!!
Eu tô em todas, tô no ar, eu tô aí
Eu tô até na liquidez do abacaxi

Sonhar não custa nada, ou quase nada ( Mocidade Independente - 1992)
Autores: Paulinho Mocidade, Dico da Viola, Moleque Silveira

Sonhar não custa nada
E o meu sonho é tão real
Mergulhei nessa magia
Era tudo que eu queria
Para esse carnaval
Deixa a sua mente vagar
Não custa nada sonhar
Viajar nos braços do infinito
Onde tudo é mais bonito
Nesse mundo de ilusão
Transformar o sonho em realidade
E sonhar com a Mocidade
É sonhar com o pé no chão
Estrela de luz
Que me conduz
Estrela que me faz sonhar
Ai, amor
Amor, sonhe com os anjos
Não se paga pra sonhar
Eu sou a noite mais bela
Que encanta o seu sonho
Te alucina por te amar
Vem nas estrelas do céu
Vem na lua-de-mel
Vem me querer
Delírio sensual
Arco-íris de prazer
Amor, eu vou te anoitecer
Eu vejo a lua no céu
A Mocidade sorrir
De verde e branco, na Sapucaí

Paulicéia Desvairada, 70 anos de Modernismo no Brasil (Estácio de Sá - 1992)
Autores: Djalma Branco, Déo, Maneco, Caruso

Eu vi o arco-íris clarear
O céu da minha fantasia
No brilho da Estácio a desfilar
A brisa espalha no ar
Um buquê de poesia
Na paulicéia desvairada, lá vou eu
Fazer poemas e cantar minha emoção
Quero a arte pro meu povo
Ser feliz de novo
E flutuar nas asas da ilusão
Me dê, me dá, me dá, me dê
Onde você for, eu vou com você
Lá vem o trem do caipira
Prum dia novo encontrar
Pela terra, corta o mar
Na passarela a girar
Músicos, atores, escultores
Pintores, poetas e compositores
Expoentes de um grande país
Mostraram ao mundo o perfil do brasileiro
Malandro, bonito, sagaz e maneiro
Que canta e dança, pinta e borda e é feliz
E assim transformaram os conceitos sociais
E resgataram pra nossa cultura
A beleza do folclore
E a riqueza do barroco nacional
Modernismo, movimento cultural
No país da tropicália
Tudo acaba em carnaval

A Dança da Lua (Estácio de Sá - 1993)
Autores: Wilsinho Paz, Luciano Primo

Clareou, clareou, clareou
A dança já vai começar, obá, obá
Clareou, clareou, clareou
A Estácio tem a lua como par
Ouvi contar, os índios carajás
Que nada existia, até Kananciuê criar
Na frágil luz da lua nova
Fez a terra e a flora, a fauna, o rio e o mar
O verdadeiro paraíso, Jardim do Éden
Ou quem sabe Shangrilah
E assim a lua dançou e se fez crescente
E revelou, e revelou, o Reino das Pedras Verdes
Os Guaquaris e os sacis, Canção e a Mãe da Mata
Que protegiam as amazonas
Bravas guerreiras da nação Icamiabas
Bota fogo na fogueira, pra clarear
Caipora flamejante, não quer parar
Se vaga-lume mau ilumina, manda soltar
Aprisiona o urubu-rei, pra Lua cheia libertar
Dragão lunar me conceda
O prazer de contemplar
Estas deusas que estão sobre sua proteção
Que a lua minguante não tarda a chegar
Quando vier, reduzirá a claridade
Trará consigo a maldade, o zodíaco dançará
As bruxas negras casarão com Satanás
Muita orgia e algo mais, um verdadeiro sabá
A deusa lua partiu
A lua negra chegou, na busca do amor
O preto e branco é colorido
Tudo é mais lindo no nosso interior

Peguei um Ita no Norte (Salgueiro - 1993)
Autores : Demá Chagas, Arizão, Celso Trindade, Bala, Guaracy, Quinho

Lá vou eu...
Me levo pelo mar da sedução (sedução)
Sou mais um aventureiro
Rumo ao Rio de Janeiro
Adeus Belém do Pará
Um dia eu volto, meu pai
Não chore, pois vou sorrir
Felicidade, o velho Ita vai partir!
Oi, no balanço das ondas, eu vou
No mar eu jogo a saudade, amor
O tempo traz esperança e ansiedade,
Vou navegando em busca da felicidade
Em cada porto que passo
Eu vejo e retrato em fantasia
Cultura, folclore e hábitos
Com isso refaço minha alegria
Chego ao Rio de Janeiro
Terra do samba, da mulata e futebol
Vou vivendo o dia a dia
Embalado na magia
Do seu carnaval
Explode coração
Na maior felicidade
É lindo meu Salgueiro
Contagiando e sacudindo esta cidade

Rio de lá pra cá (Salgueiro - 1994)
Autores: Celso Trindade, Demá Chagas, Bala, Arizão, Guaracy, Quinzinho

Meu Rio que é um rio de alegria
Transborda de felicidade (e vem mostrar)
Vem mostrar as tradições
O jeitinho dessa gente e da coroa real
Sua beleza, seus festejos e encantos
Germinou nos quatro cantos

Sementes de amor
De lá pra cá o Rio se glorificou
Virou mar de poesia
Bate forte coração
Sou carioca, salgueirense, sou povão
Rio, cidade maravilhosa
Já cantado em verso e prosa
Cartão postal do meu Brasil
Rio, da mulata e do pagode
Futebol e samba forte
Como explode coração (tá na boca do povão)
Num abraço de envolver
Rio, és razão do meu viver
Balança, ô, balança
Chegou a hora do Salgueiro sacudir
Deixar esta cidade louca
Com água na boca na Sapucaí

Bidu Sayão e o canto de cristal (Beija-Flor - 1995)
Autores: Bira, Zé Carlos do Cavaco, Tião Barbudo, Dequinha Pottier, Jorginho

Bela menina, "Voz de Cristal"
Deslumbrava multidões
O seu talento, dom divinal
Encantou os corações
Grande guerreira que conquistou
Seu lugar ao sol
É festa, é luz, é cor, é poesia
É diva internacional
Nesse palco surge ela, Bidu Sayão
Sacudindo a passarela, quanta emoção
E a minha Beija-Flor vem aplaudir
"Bachianas" e "O Guarani"
Essa carioca da gema
Cultiva a vida inteira
O sonho de voltar à pátria
E o orgulho de ser brasileira
E semeou de norte a sul deste país
Seu canto lírico feliz
E hoje é musa na Sapucaí
O samba é amor, é nessa que eu vou
Swinga, minha bateria
Tô nesta ópera
Extravasando alegria

Gosto que me enrosco (Portela - 1995)
Autores: Noca da Portela, Colombo, Gelson

É carnaval
O Rio abre as portas pra folia
É tempo de sambar
Mostrar ao mundo a nossa alegria
Veio bailando pelo mar
E de lá pra cá nasceu essa magia
Samba, que me faz feliz
Em sua raiz tem arte e poesia
Bate o bumbo, lá vem Zé Pereira
E faz Madureira de novo sonhar
A Portela não é brincadeira
Sacode a poeira, faz o povo delirar
Gosto que me enrosco de você, amor
Me joga seu perfume, hoje eu tô que tô
Praça Onze, berço das nossas fantasias
Deixa Falar deixou no peito a nostalgia
Dos ranchos, blocos e cordões
Dos mascarados nos salões
Pierrot beijando a Colombina
Chuva de confete e serpentina
Dos bondes ficou a saudade
Ah ! Que saudade do luxo das Sociedades
Abram alas, deixa a Portela passar
É voz que não se cala
É canto de alegria no ar

Mais vale um jegue que me carregue, que um camelo que me derrube lá no Ceará ( Imperatriz Leopoldinense - 1995)
Autores: Eduardo Medrado, João Estevam, Waltinho Honorato, César Som Livre

Ecoam pelo ar
Estórias de tesouros escondidos
Sou poeta da canção
E embarco nesse sonho encantado
Vou com destino ao Ceará
Em busco de um novo eldorado
Levo comigo a ciência
Do país a sapiência
Tudo eu quero relatar
Nessa expedição bem brasileira
Chegam mouros e camelos
Não precisa se assustar
Balançou, não deu certo não
Pois não passou de ilusão
Eles trouxeram o balanço do deserto Mas não é o gingado certo
Pra cruzar o nosso chão
O jegue escondido na história
Ajuda o sertanejo a tocar seu dia-a-dia Trabalha, ara a terra sob o sol
E leva o fardo pesado
De um povo sofredor
Mas vale a simplicidade
A buscar mil novidades
E criar complicação
Esquecendo o bom e o útil
Renegar o que é nosso
Gera insatisfação
O sertão não é só lamento
Meu momento é aqui
Faço a festa e lavo a alma
Hoje na Sapucaí

Criador e Criatura ( Mocidade Independente - 1996)
Autores: Beto Correa, Dico da Viola, Jefinho, Joãozinho

Cheio de amor
O Criador
Findou sua divina solidão
Fez surgir a natureza
Universo de fascinação
Luz, terra e mar
No firmamento astros a bailar
E numa luminosa inspiração
Faz o homem a mais sublime criação
Assim, o homem com sua ousadia
Avança o sinal no jardim do amor
Deu um salto, dominou a terra
Terra de Nosso Senhor
Olha pra mim, diga quem sou
Eu sou o espelho, sou o próprio Criador
Gênios, artistas e inventores
Fazem um mundo diferente
Mexem com a vida da gente
Dando asas à imaginação
Em uma nova era
A gente não sabe o que nos espera
Vem nessa, amor, pra um novo dia
Brincar no paraíso da folia
A mão que faz a bomba, faz o samba
Deus faz gente bamba
A bomba que explode o nesse carnaval
É a Mocidade levantando o seu astral

Verás que um filho teu não foge à luta (Império Serrano - 1996)
Autores: Aluísio Machado, Lula, Beto Pernarda, Arlindo Cruz, Índio do Império

O povo diz amém
É porque tem
Um ser de luz a iluminar
O moderno Dom Quixote
Com mente forte vem nos guiar
Um filho do verde esperança
Não foge a luta, vem lutar
Então verás um dia
O cidadão e a real cidadania
Quero ter a minha terra
Meu pedacinho de chão, meu quinhão
Isso nunca foi segredo
Quem é pobre tá com fome
Quem é rico tá com medo
Vou dizer ...
Quem tem muito, quer ter mais
Tanto faz se estragar
Joga lixo no chão, tem bugica pra catar
Senhor, despertai a consciência
É preciso igualdade
O ser humano tem que ter dignidade
Morte em vida, triste sina
Pra gente chega de viver a Severina
Junte um sorriso meu, um abraço teu
Vamos temperar
Uma porção de fé, sei que vai dar pé
Não vai desandar
Amasse o que é ruim, e a massa enfim
Vai se libertar
Sirva um prato cheio de amor
Pro Brasil se alimentar
Em me embalei, pra te embalar
No balancê, balancear, vem na folia
Chegou a hora de mudar
O meu Império vem cobrar democracia

Trevas! Luz! A explosão do universo (Viradouro - 1997)
Autores: Dominguinhos do Estácio, Mocotó, Flavinho Machado, Heraldo Faria

Lá vem a Viradouro aí ! Meu amor !
É big-bang, coisa igual eu nunca vi !
Que esplendor
Vem das trevas, tudo pode acontecer
A noite vira dia, luz de um novo amanhecer
Vai, meu verso, buscar a terra em embrião,
Da poeira do universo
Desabrocha a natureza em expansão
Oh ! mãe Iemanjá, deusa das águas !
Nanã, deixa o solo se banhar !
Ora, iê, iê, ô, mamãe Oxum,
Vem com Ondinas reinar
No fogo a salamandra a dançar,
As pombas brancas simbolizando o ar,
Explodem maravilhas.
Vejo a vida brilhando afinal !
Surge o homem iluminado
Com hinos de luta e cantos e paz :
É o equilíbrio entre o bem e o mal
E com o coração nessa folia
Seja noite ou seja dia, amor !
Eu quero me acabar !
Vou cair na gandaia, com a minha bateria !
No balanço da mulata, a explosão de alegria

Orfeu, o negro do carnaval (Viradouro - 1998)
Autores: Gilberto Gomes, Mocotó, Gustavo, P.C. Portugal, Dadinho

Lá, onde a vida faz a prece
E o sol brilhante desce para ouvir
Acordes geniais de um violão
É o reino de Orfeu
Rei das cabrochas
Seduzidas pela sua inspiração
Eurídice, o verdadeiro amor
Do vencedor por aclamação geral
Da escola de samba do morro
Que vai decantar nos seus versos
A história do carnaval
É na magia do sonho que eu vou
Mitologia no samba amor
Aí, o zumbido da fatalidade
Que atinge a cidade
Traz mais uma desilusão
Orfeu caiu
No abismo da saudade
E voa para eternidade
Levado pela ira da paixão
Tem no seu talento reconhecimento
Num desfile magistral
O Grêmio do Morro venceu
E o samba do negro Orfeu
Tem um retorno triunfal
Hoje o amor está no ar
Vai conquistar seu coração
Tristeza não tem fim, felicidade sim
Sou Viradouro, sou paixão


Guanabaram, o seio do mar (Unidos da Tijuca)
Autores: Gilmar L. Silva, Vicente das Neves, Beto do Pandeiro

Hoje, o Borel em aquarela
Põe na passarela um pedaço de mar
(de mar, de mar)
Santuário de beleza
O Guanabaram que Tupã divinou
Então, eu mergulhei em tuas águas
E me encantei para te decantar ... decantar
Diz a lenda que bem antes
Outros bravos navegantes o teu solo cobiçou
Veio de lá ... de Portugal
A realeza em ti desembarcou
Maré que vem ... maré que vai
Mantendo um sonho que não se desfaz
Um cenário de beleza que virou cartão postal
Mãe da história do cinema nacional
Divina, teus milênios em poesia
Em teu seio reluziam os cassinos imortais
A vedete irreverente fez um mundo diferente
Na famosa Ilha do Sol ... o mais que legal ...
Tuas águas cristalinas bem combinam com a magia
Do teu clima tropical
Te quero mais verde sem poluição
Se liga neste canto de oração
E no balanço desse mar, amor
Que eu vou, vou navegar Vou na proa, vou na boa
Pra Ilha de Paquetá

O século do samba (Mangueira - 1999)
Autores: Adalberto, Jocelino, Jerônimo
O rufar do seu tambor
Anunciou o verde e rosa
Que canta o século do samba
Canta os bambas em verso e prosa
Pelo telefone vai buscar quem foi pra longe
Pra matar minha saudade
Recorda a Praça Onze em poesia
Deixa falar a nostalgia
O morro desce a ladeira prá cidade
Sinhô, Ismael, Pixinguinha
Cartola, Noel, Candeia
Ecoa no céu, Mangueira
Traz todo o samba pra Estação Primeira
É orgulho e até religião
Em meigas faces tradição
Jeito moleque mostra em breque,
No amor então, se faz canção
Partido alto em fundo de quintal
Silas, poeta do meu Carnaval
Mangueira, hoje o povo todo aclama
Nossa majestade, o samba
O mundo é um eterno moinho
Meu berço, folhas secas vão caindo
As novas vão crescer em seu caminho
A manga brota em flor sem ter espinho
No batuque, no pagode,
Avante Mangueira!
Teu cenário é uma beleza,
Tua voz uma bandeira!

A saga de Agotime, Maria Mineira Naê (Beija-Flor - 2001)
Autores: Déo, Caruso, Cléber, Osmar

Maria Mineira Naê
Agotime no clã de Daomé
E na luz de seus voduns
Existia um ritual de fé
Mas isolada no reino um dia
Escravizada por feitiçaria
Diz seu vodum que o seu culto
Num novo renasceria
Vai seguindo seu destino (de lá pra cá)
Sobre as ondas do mar
O seu corpo que padece
Seu alma faz a prece
Pro seu povo encontrar
Chegou nessa terra santa
Bahia viu a nação nagô ô ô
E através dos orixás
O rumo do seu povo encontrou
Brilhou o ouro, com ele a liberdade
Foi pra terra da magia
Do folclore e tradição
Um bouquet de poesia
A Casa das Minas
É o orgulho desse chão
Sou Beija Flor e o meu tambor
Tem energia e vibração
Vai ressoar em São Luís do Maranhão

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